Poesia Viva

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Paixão por Lisboa... retomando um poema de Outono...


Neste final de tarde
tocam sinos
de uma Igreja que não vejo,
mas que sei -
em Lisboa, no Chiado.

É talvez
a Igreja de Fernando Pessoa,
cujos sinos
ele ouvia e amava,
daquele amor
que só ele fingia
realmente...

De repente,
é a tarde
de todos os Outonos,
lentos, inexoráveis...
E são fantásticas,
estas árvores alongadas e oblícuas
que descem a Avenida
e deixam espalhar
o verde inconsútil
do seu próprio modo de amar.

Quem mais amou?
Quem mais amará?
O Poeta, ou a Árvore,
assim para o céu erguida
neste fim de tarde,
recolhida
e gentil?

E um perfume paira
que não se explica
nem retém...
Um bébé sorri para a Mãe...
Uma Avó deixa caír um embrulho...
E o entulho
na borda do passeio
adquire tons alaranjados
pelo pôr do Sol.

A cidade respira
em redor...
E eu suspiro
e sinto
que neste Outono
deslizado
vagarosamente entre os dedos
pressinto os segredos
nocturnos e ágeis
que apenas se deixam adivinhar...

A cidade boceja.
A noite vem
e escurece os cais.
Amanhã há mais.

Isabel

(Poema escrito num fim de tarde, em 2 de Novembro de 2005).

(Foto de Isabel - Lisboa banhada de Luz, vista do Castelo).

8 Comments:

  • At quarta-feira, 11 de janeiro de 2006 às 15:59:00 WET, Blogger helena said…

    Gostei imenso deste Poema! Quase que o conseguia ouvir, palavra por palavra, pela voz da Isabel. E de certa forma, fui levada para o Chiado ... hum! Partilho a mesma " Paixão por Lisboa"
    Um grande beijinho
    Até breve!

     
  • At quinta-feira, 12 de janeiro de 2006 às 08:44:00 WET, Blogger joao firmino said…

    Cada vez vez é mais clara a tua paixão pelo Chiado. Sente-se o quanto aquele lugar te arrebata o coração e a alma. É como uma espécie de reconhecimento de qualquer coisa que te ficou gravada na alma e é muito forte. Sobretudo, seja o que for, é algo muito bonito e muito importante para ti.
    Beijinhos,
    João

     
  • At quinta-feira, 12 de janeiro de 2006 às 14:10:00 WET, Blogger Jorge Moreira said…

    Isabelinha,
    Apanhas uma Luz e um Perfume muito especiais sobre Lisboa.
    Beijinhos

     
  • At quinta-feira, 12 de janeiro de 2006 às 23:15:00 WET, Blogger Janus said…

    A musicalidade das palavras salta do écran a fica a ecoar-nos nos ouvidos. Paulatinamente, somos invadidos por uma paz de alma que nos deixa bem connosco proprios e com os outros.
    Obrigado por nos fazer sentir assim.

     
  • At domingo, 15 de janeiro de 2006 às 23:54:00 WET, Blogger Isabel José António said…

    Janus,

    Não sei quem é mas obrigada pelas suas palavras. Já as que deixou no "Just BE" não tive a certeza do que quereriam realmente dizer... Mas são sempre bemvindos os seus comentários.

    Abraço,

    Isabel e José António

     
  • At quarta-feira, 25 de janeiro de 2006 às 02:35:00 WET, Blogger Mae said…

    Isabel Jose Antonio

    Ja tinha cá vindo e virei sempre, agora que os descobri.
    Olhe, gosto tanto de vos ler, assim como outros blogs, que descobri,honestamente, que nem sinto necessidade de escrever...
    Aquele blog o maré alta, foi criado para fazer experiencias, de posts animated gif, nem era para continuar, pois como verificaram, deixei de os movimentar na mesma altura.
    Confesso, que depois dos acontecimentos da semana passada, utilizando a nova linguagem do "Bom
    Pastor", foi de certeza intervenção divina, que tudo se desenrolasse desta maneira, porque
    eu estrava a entrar num processo depressivo tão grande que já nem ligava aquilo.
    Talvez mais tarde, não sei quando
    começarei outro, com o que aprendi com as visitas que fiz que vossos.
    Desculpem vir aqui falar de mim... mas não entendi bem, o que diziam,
    quando se referiram ao facto de eu ir falar com voces.
    Tbem já vi que têm um admirador novo, só tenho pena que tenham que levar "com isto"...mas pelo menos o discurso mudou.
    Claro que nem será preciso dizer o quanto gostei do poema, Isabel, ja o tinha lido.
    Um abraço carinhoso.

     
  • At quarta-feira, 25 de janeiro de 2006 às 11:27:00 WET, Blogger Isabel José António said…

    Quando eu disse que se quisesse poderíamos falar, foi isso mesmo - nós temos um entendimento da vida e da morte que talvez lhe pudesse trazer algum consolo. E quando é preciso ajudar, têm que se encontrar formas. Nem que seja a pessoa sair do mundo virtual e falar "ao vivo" - mas isso, claro, se um dia quisesse. Por outro lado, se prefere esta forma de falar, por escrito, porque não nos manda um email? Poderíamos escrever-lhe sobre aquilo que está a passar duma forma menos "exposta".

    Um grande abraço e ainda bem que conseguimos fazer parte de uma espécie de "jardim virtual" onde vem refrescar-se...

    Isabel

     
  • At quarta-feira, 25 de janeiro de 2006 às 11:28:00 WET, Blogger Isabel José António said…

    Ou seja, Mãe, queria dizer porque não nos manda o seu endereço de email, para que possamos escrever-lhe?

     

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