Poesia Viva

segunda-feira, novembro 21, 2005

O Início de um novo dia...


Percorro as ruas lentamente, aspirando o ar fresco da manhã! Deixo que a brisa penetre em todos os meu poros e me afague o rosto. Olho as pessoas que passam por mim apressadas. Tento ver nelas algo que me surpreenda (um gesto, um olhar, um sorriso, uma chispa que seja, que nelas demonstre que têm consciência de que em si mesmas existe o Universo inteiro). Mas a maioria das pessoas passam alheias, rostos crispados, a maior parte das vezes, apressadas numa agitação que se antevê.


Olho o azul do céu, onde nuvens de vários formatos flutuam lentamente. Os raios de sol fazem a sua aparição saudando e pintando de luz o novo dia que começa. As flores nas árvores e arbustos começam a sua rotineira tarefa de se abrirem para a Luz do Sol.. Pintam um quadro maravilhoso de odores e cores, salpicando o dia de pequenas maravilhas etéreas.


Sinto no ar o cheiro a café e pão acabado de ser feito. Estes aromas penetram todo o meu Ser e entram em sintonia comigo. Avisam-me para o meu estado de Ser Vivo e consciente. Dão-me informação de que tudo à minha volta está em sintonia e interage comigo. O pão que é feito do trigo que alguém cultivou, regou, tratou, colheu, amassou e produziu. A cadeira onde me sento ou a máquina que utilizo que foi produto do trabalho de alguém que reuniu os materiais, pensou, concebeu e produziu aqueles instrumentos que agora utilizo.


Se tudo está relacionado com tudo, então eu sou tudo e tudo sou eu. E procuro descobrir, no mais profundo do meu SER, como vou fazer para transmitir à minha volta toda esta maravilha. Como vou transmitir a descoberta de que tudo aquilo que se faz (ou não faz e devia ser feito), se pensa ou não se pensa (e devia ser ou não ser pensado) influi em tudo e em todos? Que o Ser Humano não é só aquilo que aparenta ser (um corpo bem ou mal proporcionado com mais ou menos capacidades mentais) mas um SER INTEGRAL com corpo e alma, mente e espírito e que se encontra ligado a tudo e a todos?


Aquieto todo o meu ser. Continuo a percorrer as ruas da cidade. Olhando nos olhos e de frente as pessoas. Transmitindo a todos quantos me rodeiam e com quem eu privo de perto, um pouco deste grande perfume da VIDA UNA e transcendente em tantos níveis de existência e interacção.


E sinto nas veias, na mente, no coração, na alma e no espírito, um frémito de unicidade e união com tudo e com todos. Para os que não conseguem ver nem saber que tudo é tudo, mantenho um sentimento de serenidade, entendimento, compaixão, compreensão e esperança de que, mais cedo ou mais tarde, venham a entender. Hão-se lá chegar um dia, fazer a descoberta.


Para os que já entendem e sabem que tal se desenrola assim, um sentimento de partilha elevado; um sentimento de união em espírito e compreensão.


E os pássaros esvoaçam em mil e uma diatribes aéreas, chilreando nos seus afazeres de liberdade e altura, comunicando-me que também fazem parte do esquema cósmico que permanece imperturbável.


E de repente uma criança, vinda a correr atrás duma bola, pára junto de mim. Seguro-lhe a bola e entrego-lha nas mãozitas macias. Sorri, com o seu olhar brilhante e os caracóis esvoaçando ao vento. Nessa fracção de segundo, nesse instante mágico, a vida inteira concentra-se nos nossos dois sorrisos quando lhe entrego a bola. Sorri mais uma vez e sai correndo com a bola nas mãos.


Que belo início de dia. Que momento maravilhoso de ternura e pureza.

Encho o peito de ar! Aspiro profundamente toda a energia do Universo e sigo o meu caminho.

José António

07/11/2005

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